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Aeromoças e Tenistas Russas

A banda Aeromoças e Tenistas Russas toca no Alambique do Som nessa sexta-feira, 17 de agosto, na Praça da Estação.

 Conheça um pouco mais da banda:

RELATO PESSOAL DE UMA VIAGEM A KADMIRRA

“… Ouvir agora o Kadmirra, o disco que acabaram de gravar, me fez revisitar esse outro-lugar dos Aeromoças, de que gosto tanto. Está aí, no disco, como sempre esteve, nos shows, o manejo perfeito da eletricidade. E manejar eletricidade com tamanha destreza nunca foi coisa de principante, afinal de contas o exercício requer respeito: a eletricidade tem o poder de revelar a natureza íntima das coisas. Elétrons, na base, sempre – quem dormiu na aula de física ou de química se lembra muito bem. Kadmirra é, portanto, uma visita à natureza íntima, eletrônica, das coisas todas que existem. Aeromoças (nunca um nome de banda foi mais exato!), embaixadores da eletricidade, já estão de volta dessa viagem à base de tudo, e voltaram armados: Gustavo Hoolis, mais que simplesmente tocar o teclado, produz eletrocuções regozijantes, clusters de choques elétricos, quatro ou cinco choques a cada acorde. E os samples de Jovem Palerosi, de onde vêm?

Sim, os caras visitaram a base de tudo, e voltaram dispostos a construir seu personalíssimo planeta (que nome daremos a esse outro-lugar dos Aeromoças? Kadmirra é esse lugar). Como são viajantes entendidos do traçado, sabem que não podem construir seu cosmos sem ter engendrado, antes, seu caos. Hesitação entre caos e cosmos, há vida (quanta vida!) em Kadmirra. Os saxes do Thiago Hard, aliás, são muitas vezes acenos para aspectos encobertos da vida, ainda que plenamente ativos. O sax pinta propondo um desenho que o ouvinte julga conhecer, hei, esse sax me levou para o ano de 1984, quase chego a ver uma menina de quem gostei muito, nessa época, mas quando foco melhor a visão a figura vira fumaça e quando dou por mim eu estou no ano de 1996, num underground cinzento de Berlim. Kadmirra é isso: o mundo ao alcance da mão, entre o reconhecimento e a novidade. Tudo estranho. Tudo muito familiar.

A verdade é que os caras nunca estiveram para brincadeira. São viajantes, realizam sua cosmogonia pessoal, instauram atmosfera própria. E são engenheiros. Como não chamar de engenharia as estruturas do baixo do Juliano? No cosmocaos de Kadmirra, nada mais a propósito: muita fumaça, por entre as sólidas estruturas. Certamente, Aeromoças e Tenistas Russas são o melhor que uma banda pode ser. São uma banda de verdade, pois revelam o que pode ser essa vida de tantas vidas embutidas, ocultas. Aeromoças corajosamente correm o risco de, na base do arame e da fumaça, e com as graças da tomada elétrica, propor ao mundo seu mundo pessoal. Senhoras e senhores, benvindos a Kadmirra.”

Por: Danislau Também